Ser generoso é basicamente compreender-se no mundo, não só para atender aos próprios anseios, mas para contribuir com a vida daqueles com quem nos encontramos pelo caminho da existência.
O homem preserva em si os elementos da animalidade, como o medo, a ira e as paixões, e exibe-as com faces ainda piores como a irracionalidade, a cobiça, a inveja, a ambição, o egoísmo e a avareza. Em contrapartida, também somos capazes do autodesprendimento, da compassividade e da ação dirigida ao benefício de outrem: a generosidade.
Ser generoso é basicamente compreender-se no mundo, não só para atender aos próprios anseios, mas para contribuir com a vida daqueles com quem nos encontramos pelo caminho da existência.
Como são interessantes os caminhos da existência que, dando voltas, muitas vezes, surpreende-nos com generosidade inesperada, reflexo de nossas próprias dádivas de outrora já esquecidas.
Muitos confundem generosidade com doações de bens materiais. Mas generosidade, em sua pura forma, expressa-se em ações como: ajudar, alegrar, elogiar, encorajar, acolher, escutar, cuidar e abençoar.
Quando um homem exerce a generosidade, ele consegue se desprender um pouco de si mesmo. Isso é, muitas vezes, salutar, pois o alivia de sua sobrecarga mental, de suas picuinhas interiores, de sua própria pequenez, ao lutar por coisas irrelevantes e pequenos mimos desprezíveis, frente à grandiosidade que pode ter uma existência.
Aquele que está disposto a doar um pouco de si enxergará, em cada momento de seu cotidiano, as oportunidades para o exercício da generosidade. Por outro lado, o que se retrai dentro de seu egoísmo, nada enxerga, pois tem a visão do mundo embotada por sua mesquinhez.
Na grandiosidade, assumimos o papel de semeadores. Com pequenos gestos e atitudes, despertamos o bem que existe dentro de cada um. Estimulamos o desejo de fazer algo melhor.
Nem sempre generosidade consiste em atuação ou intervenção. Às vezes, ver alguém errar, oferecer um sorriso amigo e dizer "continue tentando" é a maior das generosidades, pois é acreditar e respeitar o tempo de cada um.
Na mesquinhez, somos apenas ceifadores, consumimos de forma predatória os recursos humanos e materiais à nossa volta, empobrecemos o solo onde poderia vicejar a estima, esgotamos a nascente que traz a afeição e a solidariedade. Ao tentar segurar tudo só para si, o mesquinho acaba por tudo perder.
Na verdade o que o mesquinho nega aos outros nega a si mesmo. Tenta condenar o outro a vida miserável que na verdade leva.
Uma vez que se envelhecermos como vivemos, enquanto o generoso tem uma trajetória valorosa e lembrada com afeição, o mesquinho mergulha na solitude e no completo esquecimento.
Paute a sua vida pela riqueza no trato com o mundo, não pela miséria. Esta é a melhor forma de garantir que tudo em você e à sua volta floresça, dando à existência um sentido e, a cada gesto, algo de sagrado. |