A violência não é um mal congênito, mas fruto das gritantes desigualdades sociais.
A vida em comunidade exige aceitação do dever por cada indivíduo e o respeito de seus direitos por toda sociedade. Quando se harmoniza o individual e o social, surgem a solidariedade e o esforço comum em substituição ao antagonismo.
Não se resolve o problema da violência com leis severas e a construção de presídios, mas com justiça e responsabilidade social.
Não há diferença entre o indivíduo que invade um lar, violenta a família e rouba seus bens e a autoridade constituída que se apropria indevidamente do dinheiro público, destinado a fazer melhorias sociais. O que difere é o método de violência utilizado.
A corrupção, o enriquecimento ilícito, o desvio de verbas e a má aplicação do dinheiro público geram desequilíbrios sociais, porque tiram recursos de toda a sociedade para beneficiar alguns poucos privilegiados do sistema.
Diante dessas condições o cidadão desprestigiado pressupõe que ser honesto é fazer papel de bobo e passa a encarar ética e moral como normas ditadas pelas elites dominantes para disciplinar o indivíduo comum.
Vivemos numa sociedade globalizada e massacrada pela propaganda inventivadora do consumismo; quem consome demonstra poder, quem não pode consumir tem frustração.
A maioria da população, de natureza simples e pacífica, suporta essa frustração, mas existem em seu seio grupos que, não suportando, se negam a trabalhar e estudar.
Vendo que a sociedade cobre de privilégios os preguiçosos, os ignorantes e aproveitadores, eles aderem à violência e se refugiam na droga, no tráfico, no contrabando, em sequestros e assaltos a mão armada. Preferem correr riscos de vida e de liberdade a se submeter aos baixos salários, incapazes de satisfazer suas necessidades de consumo, despertadas pela massificadora propaganda exibida pelas elites.
É utopia pensar em igualdade social diante das diferenças naturais de cada ser humano. Fazer justiça não é apagar as desigualdades, mas utilizá-las para harmonizar os diferentes.
É respeitar os direitos de cada cidadão e uma divisão mais justa das riquezas produzidas, priorizando o investimento em áreas fundamentais como educação, saúde e infra-estrutura.
Só quando cada indivíduo estiver consciente do seu papel social, do valor que presenta, do reconhecimento deste valor e de poder viver com dignidade, sem precisar se apropriar do que pertence ao outro para se locupletar, é que poderemos pensar em viver numa sociedade sem vilência. |